sexta-feira, janeiro 30, 2009
Do fim até o começo

O tempo voa, não é mesmo?

Vejo isso nesse exato momento, enquanto escolho as palavras para contar o final do ano já com o pé encostando o fevereiro...

2008 foi um ano intenso. Para o bom e o ruim.

Li, estudei, questionei, vi as crises de Pânico irem embora, conheci o Alhzeimer de perto, vi as crises de Pânico voltarem, uma endometriose em progressão, um diagnóstico para possibilidades de cura. Colocando assim parece triste, mas olhando agora para 2008 eu teria que ser muito tapada se não passasse por tudo isso aprendendo alguma coisa. Percebo o quanto cresci com isso tudo, o quanto ainda preciso crescer.

Questionei tudo o que conhecia e tinha por certo, grata por confirmar que em muito já acertava, em outros tantos tive que dar uma acertadinha no foco. A gente passa por algumas coisas para perceber que sim, tudo podia ser bem pior, mas em menor ou maior grau a maneira como encaramos os problemas os fazem maiores ou menores. Tudo se resume mesmo em escolhas.

Eu sempre escolhi conhecer. 2008 me ensinou a aprender.
Que 2009 me ensine a viver bem com as minhas escolhas.


Beijo grande procês.

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postado por Aleksandra Pereira às 8:09 AM | 4 comentário(s)
quarta-feira, setembro 17, 2008
Lindas palavras de um coração lindo



Ana, a querida amiga do Roccana, me presenteou ontem com esse post lindo. Obrigada mais uma vez, minha linda.


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postado por Aleksandra Pereira às 9:54 AM | 3 comentário(s)
terça-feira, setembro 16, 2008
Uns... trinta e um...

Quem acompanha esse blog sabe que ano passado, nessa época, estava meio down. Mas como tudo na vida, espero ter virado essa página. O que posso e devo fazer hoje é aprender com tudo isso, e procurar não dar espaço para a depressão de novo. A briga é coisa de gente grande, um leão por dia é pouco, mas a gente enfrenta.
Agradeço por todas as mensagens de carinho, e-mails, telefonemas, vibrações que atravessam o Atlântico, abraços apertados. Vi muita gente ir embora ou dar as costas por muito pouco, mas também vi algumas pessoas ficarem por algo em que realmente acredito: amizade verdadeira. Beijos para vocês que, de longe ou de perto, batalharam, apoiaram, sacudiram ou simplesmente escutaram essa pessoa agradecida que aqui escreve.
Feliz. Parabéns para mim!
"Sun is shining in the sky
there aint a cloud in sight it'sstopped raining,
everybody's in the play and don't you know
it's a beautiful new day, Hey, Hey!!"
(ELO, "Mr Blue Sky")
Não, isso não é um momento pós comercial de margarina.
É a vida simplesmente acontecendo.
E eu sigo assim, "escrevivendo" (obrigada, Affonso Romano de Sant'Anna!)

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postado por Aleksandra Pereira às 11:32 AM | 5 comentário(s)
sexta-feira, maio 16, 2008
UM MICO E UMA ROUBADA
Os dois posts já passaram por aqui e em comentários em certas feitas. Estão de volta, relembrados, revividos, por que eu gosto muito de livros bons e o Marcus do "A GRANDE ABÓBORA" está presenteando com dois muito bons no seu aniversário de 5 anos.

O parabéns é para você, mas o presente é meu, hein?!?

Quem quiser escrever, posta seu Mico e linka pra lá que ainda dá tempo!


UM MICO

Pensei, pensei, e desencavei esse mico da época que tentei fazer faculdade de Relações Públicas aqui em Santos. Parei no segundo ano por descobrir que o curso não existia. Não sei como está hoje, mas na minha época eu não aprendia praticamente nada. O único professor com quem aprendi algo foi o Iberê Sirna. Acabei indo para São Paulo e me formei publicitária pela Cásper Líbero mas, antes disso, ainda aqui em Santos e na FACOS, o curso de jornalismo recebia para uma palestra o repórter Caco Barcellos. Eu era super fã dele, e me ofereci para auxiliar no evento, nem que fosse para ficar repondo copo descartável.

No dia do evento, uma das meninas-chave da coordenação não apareceu, e me deixaram no lugar dela. Minha função? Apresentar as instalações da faculdade para ele, fazer um resumo sobre o curso, blá, blá, blá.

Eu, ansiosa por demais. Imaginem, O Caco Barcellos, admirava o cara. Como nos desencontramos (o primeiro erro), comecei a apresentar as instalações de onde estávamos, do último andar, descendo para o primeiro. Lá ia eu, tremendo feito vara verde, o gajo educadíssimo e disfarçando não perceber meu interno mas quase transbordante transtorno, e aquela turba atrás de nós, como se todos fossem visitantes. Eu abria uma portinha, explicação básica, olhadela, fecha portinha, vamos para a próxima. Nesse meio tempo, ele me disse alguma coisa sobre um trabalho desenvolvido na época, eu toda saltitante, me sentindo a companheira de trabalho e praticamente trocando de curso naquele instante, vou abrindo sem aviso a porta do laboratório de rádio, conversando já intimamente com meu mais novo amigo de infância.

Daí olho um momento para todo mundo, incluindo umas duas professororas minhas, que congelam. Não tinha dado tempo dele entrar ainda para sua conferida rápida, o que foi a salvação, pois havia aberto a porta do bannheiro feminino. A companheira de equipe, trocando de roupa lá dentro, entregue pelo reflexo no encontro dos espelhos.

Presença de espírito instantânea, continuamos o passeio com uma multidão muda, praticamente um serviço religioso e profundo.

Nunca mais me chamaram para atuar em nenhum evento. Assim, sem motivo.



UMA ROUBADA

Um grande amigo, daqueles que ralam e muito em cada trabalho - e que hoje merecidamente coordena os programas brasileiros no Festival Internacional de Curtas de SP, me convocava sempre como diretora de produção para seus curtas.

Produzi três sob a direção dele, um com outro amigo, e ainda morro de saudades de nossas épocas de total falta de grana, mas de criatividade à mil.

Como diretora de produção do "Último dia", tive que correr atrás de muitas autorizações com a polícia, para podermos filmar nas ruas com tranqüilidade. Algumas cenas que seriam rodadas aconteceriam perto de meu antigo apartamento, na Vila Mariana, então entreguei a documentação do projeto para o Posto da Polícia da Sena Madureira, que me receberam muito educadamente. Autorizações entregues, agora correria para encontrar objetos de cena. O Sr. diretor William, sempre ele, me solicita um item bastante fácil de se encontrar por aí:

uma porta.

A porta que seria usada nas cenas do esconderijo da personagem da Laís.
Pois bem, lá vou eu atrás de uma porta que atendesse as solicitações. E não encontrava nada. Só que, perto de onde eu morava, na Sena Madureira mesmo, existia uma casa onde outrora funcionava uma escola de inglês, que estava vazia mas cheia de trecos na entrada. Passei na frente por acaso, e fiquei de voltar mais tarde.

Taí uma coisa que não deveria ter feito: voltar lá.

Pois é. Mas eu fiz. Deixei as coisas que trazia no caminho em casa, e voltei lá. Aqui sublinho: deixei TUDO em casa, inclusive documentos (crianças, nunca façam uma coisa dessas!), só levando minha chave. Estava lá eu, com minha camiseta da Mostra Internacional de Cinema, subindo as escadarias da casa que antes parecia tão inocente, agora me desperta receios. Olho para os lados, e só vejo pedaços de madeira, papelão e caixas para todos os lados. E nada de porta. Resolvo entrar mais na casa para observar seu interior, quando de repente começo a ouvir barulhos. E então pessoas, uns três ou quatro homens, surgem do nada (do nada não, de debaixo daquela montoeira de papelão e madeira!), e me perguntam o que eu estou fazendo invadindo e mexendo na casa deles.

Gelei.
Começo a recuar, tentando explicar que estava ali a trabalho, que não procurava por ninguém, e pensando "como está longe essa porta de entrada. Seja esperta. Corra enquanto pode". Do lado de fora, escuto carros freando bruscamente, próximo ao local. Meu instinto não sei porque pensou : "é a polícia, ficarei bem". Policiais então entram na casa, nervosos, recolhendo as pessoas que estavam ali escondidas, invadindo aquela casa. Começaram a arrastar TODAS as pessoas, incluindo essa que lhes escreve. Comecei a tentar explicar que não era mendiga (olha o nível da situação!), que estava ali a trabalho, mas a policial que me segurava não queria saber de conversa.

Continuei repetindo minha história, quando, por sorte minha, uns dos policiais presente no local havia me recebido no dia em que deixei as autorizações para as filmagens no posto de trabalho dele. Ele acabou me reconhecendo e confirmando que eu deveria estar ali só a trabalho realmente. Agradeci, corri de volta para casa agradecendo por não ter acontecido nada pior. A porta? Bem, acabei não arranjando porta nenhuma. Por coincidência, ao irmos filmar na casa da Carol, encontramos uma dentro de uma caçamba. Se não fosse por isso, lá estaria eu novamente atrás de uma outra porta. E torcendo para não entrar em outra fria, como aquela de filmar no estacionamento dos mafiosos lá na Treze de Maio.

Mais isso já é outra história...

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postado por Aleksandra Pereira às 10:50 AM | 8 comentário(s)
quarta-feira, abril 02, 2008
Costumo ler os blogs e sites que gosto através do Google Reader, por ser prático e para não correr o risco de perder alguma atualização bacana. Posso marcar com estrela o post que gostei e lê-lo depois, e uma coisa também legal é poder compartilhar os posts que mais gostei num endereço a parte:

ALEKSANDRA PEREIRA ITENS COMPARTILHADOS


Lá selecionei posts sobre design, literatura, novidades tecnológicas e vou postando o que mais pintar que valha ser mencionado e dividido.

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postado por Aleksandra Pereira às 2:34 PM | 3 comentário(s)
segunda-feira, dezembro 24, 2007
Boas Festas!
Desejo para vocês tudo o que eu desejo para mim!

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postado por Aleksandra Pereira às 10:11 AM | 1 comentário(s)
sábado, novembro 24, 2007
Papo sério
Começar esse post foi difícil, mas com o passar dos minutos a vontade de escrevê-lo cresceu.

Queria dar uma justificativa para o meu afastamento do blog, para todos os incríveis companheiros de leitura que conquistei desde que o “Lágrimas” nasceu, e fui percebendo que precisava me justificar também para amigos próximos e, principalmente, para mim.

Não foi só daqui que me afastei. Ultimamente estive afastada de tudo. Perdi oportunidades, festas, até amigos, que entenderam falta de interesse ou carinho.

Sempre fui uma pessoa tímida. Desde pequena a principal característica era um livro nas mãos, óculos no nariz e silêncio. Nunca me senti sozinha assim, mesmo sabendo que precisava interagir mais com as outras crianças. E olha que eu brinquei muito de ”Rouba Bandeira”, “Taco”, “Queimada”, cheguei a montar um grupo feminino cover do “New Kids on the Block” (é ridículo, eu sei!), e comecei a “interagir” cedo com... rapazes. Uma garota normal.

Mas sempre carregava nas tintas da melancolia. Como parecia ser um traço da minha personalidade e não me atrapalhava em excesso, segui assim. Com o passar do tempo e a soma de fatores sérios como constantes crises de enxaqueca, me parecia mais do que normal me resguardar, preferir a tranqüilidade, admirar o silêncio. Aproveitei bem minha adolescência, poderia entrar na idade adulta mais calma, sem arrependimentos por algo que não tenha feito.

Mas as crises de enxaqueca aumentaram, e com elas a quantidade de nomes de remédios e médicos. Junto aos Machado, Woolf, Calvino, as bulas eram lidas com minúncia – pesquisadas, perguntadas, contestadas. E com a troca de remédios que ajudavam pouco – ou que atrapalhavam outro tanto – novos sintomas foram aparecendo: tristeza constante, falta de energia, irritação, insônia ou excesso de sono.

Aí para quem passa também por isso tudo vira uma bola de neve com você dentro, sem saber onde começa e termina alguma coisa: a auto-estima vai para o pé, fica difícil se concentrar ou tomar decisões, e o sentimento de falta de esperança cresce – não só ele, a gente também, pois o desconto na comida faz com que o peso aumente, diminuindo mais ainda a auto-estima, perdendo a esperança e...

Pois é.

De lá para cá já procurei inúmeros médicos, tomei fórmulas, remédios, tive crises de enxaqueca, de pânico, até crise por ter crises.

Aí começo a ouvir falar bastante sobre DEPRESSÃO. “Fulano tem depressão e não sai da cama”, “Sicrano se matou por causa da depressão”.
Putz. Será que é isso o que eu tenho?

Pesquisando, descobri que, segundo o DSM-IV - Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (4ª edição), existem alguns critérios para se diagnosticar uma depressão. Criaram uma tabela e dela, cinco ou mais dos sintomas relacionados devem estar presentes. Dentre eles, um é obrigatório: estado deprimido ou falta de motivação para as tarefas diárias, há pelo menos duas semanas – detalhe: eu falo de ANOS. Os sintomas são:

- Estado deprimido: sentir-se deprimido a maior parte do tempo;
- Anedônia: interesse diminuído ou perda de prazer para realizar as atividades de rotina;
- Sensação de inutilidade ou culpa excessiva;
- Dificuldade de concentração: habilidade freqüentemente diminuída para pensar e concentrar-se;
- Fadiga ou perda de energia;
- Distúrbios do sono: insônia ou hipersônia praticamente diárias;
- Problemas psicomotores: agitação ou retardo psicomotor;
- Perda ou ganho significativo de peso, na ausência de regime alimentar;
- Idéias recorrentes de morte ou suicídio.

De acordo com o número de itens respondidos afirmativamente, o estado depressivo pode ser classificado em três grupos;
1) Depressão menor: 2 a 4 sintomas por duas ou mais semanas, incluindo estado deprimido ou anedônia;
2) Distimia: 3ou 4 sintomas, incluindo estado deprimido, durante dois anos, no mínimo;
3) Depressão maior: 5 ou mais sintomas por duas semanas ou mais, incluindo estado deprimido ou anedônia.

Alguns fatores de risco para depressão:
- História familiar de depressão
- Sexo feminino (pois é)
- Idade mais avançada
- Episódios anteriores de depressão
- Parto recente
- Acontecimentos estressantes
- Dependência de droga

E ainda a disfunção neuroquímica, muito provavelmente uma disfunção do sistema serotonérgico:

“A depressão é uma patologia que atinge os mediadores bioquímicos que agem na condução dos estímulos através dos neurônios que possuem prolongamentos que não se tocam. Entre um e outro, há um espaço livre chamado sinapse absolutamente fundamental para a troca de substâncias químicas, íons e correntes elétricas. Essas substâncias trocadas na transmissão do impulso entre os neurônios, os neurotransmissores, vão modular a passagem do estímulo representado por sinais elétricos.
Na depressão, há um comprometimento dos neurotransmissores responsáveis pelo funcionamento normal do cérebro.”



Desde então, e com base nos diagnósticos feitos pelos Psiquiatras, oscilo entre a Distimia e a Depressão Maior. Bom, não importa como é chamada, ainda assim é um problemão.


O pior é que o sentimento de inadequação e desconforto agigantam, me fazendo perder prazer ou interesse por coisas que me davam tesão de fazer, ver, conhecer. Me isolei socialmente, querendo só ficar em casa, sem receber visitas ou atender ao telefone nas minhas piores fases. Por isso devo desculpas a alguns amigos, ex-namorados e pessoas pelas quais tenho a maior consideração do mundo, por deixá-los na mão em alguns momentos. No dia do meu último aniversário um grande e fenomenal amigo me ligou me parabenizando, e nós combinamos de nos encontrar no evento de Cinema que estava rolando por aqui. Eu não fui. Não tive coragem. Congelei. O deixei me esperando sem entender o que aconteceu, enquanto eu não havia nem saído de casa. Fiquei com medo. De me expor, de ficar chata, sei lá. Fugi.


Depressão não é só tristeza.
É uma doença, recorrente, que precisa de tratamento. Não desculpa as ações ou a falta delas, mas explica muita coisa. Eu tenho a imensa sorte de contar com amigos que não desistem de mim, por algum estranho motivo. Me cutucam, me ligam para um oi, me mandam mensagens de carinho. Tem muita gente boa por aí, e por aqui.


Acredito também que dei sorte com meu atual Psiquiatra. Tanto as conversas com ele quanto a medicação, surtem efeitos positivos. Eu sei que o processo é longo, a doença é recorrente, e virou assunto deste post para, se possível, ajudar alguém a procurar ajuda. Procure um Psiquiatra de confiança – se não concordou com o diagnóstico, troque. Fique em contato com os seus sentimentos para entender como as coisas acontecem de seu modo particular, pois cada caso é um caso. Busque grupos anônimos específicos espalhados pelo país, encontre pessoas que passam pelo mesmo problema, faz uma diferença enorme.

Para os amigos, estou bem.
Para os inimigos, que por algum motivo não querem me ver numa boa, azar o de vocês: eu estou bem.



Beijo grande.


Alguns links:
http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?137
http://www.tj.sc.gov.br/institucional/diretorias/ds/enfermagem/dicas/depressao.htm
http://www.portalnatural.com.br/mostramateria.asp?codigodamateria=27
http://www.neuroticosanonimos.org.br/

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postado por Aleksandra Pereira às 2:02 AM | 15 comentário(s)
quinta-feira, dezembro 14, 2006
"DO FIM ATÉ O COMEÇO" AGORA DELIVERY


Para quem desejar e quiser
degustar com calma,



"Do fim até o começo"
está disponível lá no outro blog
para download.

Comentários e críticas são
bem-vindos.

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postado por Aleksandra Pereira às 2:17 PM | 2 comentário(s)
sábado, dezembro 09, 2006
Queridíssimos,
Alguns dos textos publicados aqui no blog gritavam para mim uma particularidade: suas personagens eram desastradas, que erravam mas se esforçavam por um rumo melhor para suas vidas. Tinham pouco, mas não perdiam a esperança.

Por encontrar esse traço em vários dos contos, os organizeio sob o título de "Do fim até o começo", e dediquei um outro blog somente para eles. A inspiração me veio após ler o outro blog de um excelente escritor dessa blogosfera, o Alexandre Costa, do Contos & Cultos. Quem não conhece, dê uma chegada ao "A vida secreta de uma mulher qualquer", recomendo.

Espero que gostem. É uma oportunidade de rever textos já velhos conhecidos, degustar os inéditos (sim!) e também para ler aqueles que escaparam aos comentários de vocês, fiéis amigos leitores.

update_________________________________

Caríssimos,

optei por não abrir comentários lá no "Do fim até o começo", ao menos por enquanto.
Estou tentando essa edição digital para que ele chegue as editoras com algum "currículo", como alguns autores já estão fazendo, até com sucesso, sem esperar mais para acontecer.

Mas deixei lá o link prontinho para o e-mail, querendo escrever, é só mandar! Serve até para mudar e diferenciar do espaço do blog, e ver o "Do fim..." ainda mais como um pré-livro. Espero que entendam e, mais uma vez, obrigada pela força e carinho.




imagem da capa:
"The End"_T. Al Nakib

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postado por Aleksandra Pereira às 5:05 PM | 15 comentário(s)
quarta-feira, dezembro 06, 2006
Nariz
Ontem conversando com uma amiga que me perguntou se, caso fosse mudar algo no corpo, o que mudaria, respondi que mexeria no meu nariz.

Voltando para casa, meu pai me presenteou com a foto-lembrança do meu 1º aniversário. Remexendo a caixa com velhas fotos, achei as do 3º. Foi então que me toquei. Não é só o meu.


É melhor deixar como está. Marca de família.

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postado por Aleksandra Pereira às 2:23 PM | 16 comentário(s)
sexta-feira, novembro 24, 2006
"A Fria"
Após a divertida convocação para a postagem do meu "Sonho Possível", o mais novo pedido do Indível Leo versa sobre o "Meu mico publicável".


Vamos então aos fatos:

Um grande amigo, daqueles que ralam e muito em cada trabalho - e que hoje merecidamente coordena os programas brasileiros no Festival Internacional de Curtas de SP, me convocava sempre como diretora de produção para seus curtas.

Produzi três sob a direção dele, um com outro amigo, e ainda morro de saudades de nossas épocas de total falta de grana, mas de criatividade à mil.

Como diretora de produção do "Último dia", tive que correr atrás de muitas autorizações com a polícia, para podermos filmar nas ruas com tranqüilidade. Algumas cenas que seriam rodadas aconteceriam perto de meu antigo apartamento, na Vila Mariana, então entreguei a documentação do projeto para o Posto da Polícia da Sena Madureira, que me receberam muito educadamente. Autorizações entregues, agora correria para encontrar objetos de cena. O Sr. diretor William, sempre ele, me solicita um item bastante fácil de se encontrar por aí:

uma porta.

A porta que seria usada nas cenas do esconderijo da personagem da Laís.
Pois bem, lá vou eu atrás de uma porta que atendesse as solicitações. E não encontrava nada. Só que, perto de onde eu morava, na Sena Madureira mesmo, existia uma casa onde outrora funcionava uma escola de inglês, que estava vazia mas cheia de trecos na entrada. Passei na frente por acaso, e fiquei de voltar mais tarde.

Taí uma coisa que não deveria ter feito: voltar lá.

Pois é. Mas eu fiz. Deixei as coisas que trazia no caminho em casa, e voltei lá. Aqui sublinho: deixei TUDO em casa, inclusive documentos (crianças, nunca façam uma coisa dessas!), só levando minha chave. Estava lá eu, com minha camiseta da Mostra Internacional de Cinema, subindo as escadarias da casa que antes parecia tão inocente, agora me desperta receios. Olho para os lados, e só vejo pedaços de madeira, papelão e caixas para todos os lados. E nada de porta. Resolvo entrar mais na casa para observar seu interior, quando de repente começo a ouvir barulhos. E então pessoas, uns três ou quatro homens, surgem do nada (do nada não, de debaixo daquela montoeira de papelão e madeira!), e me perguntam o que eu estou fazendo invadindo e mexendo na casa deles.

Gelei.
Começo a recuar, tentando explicar que estava ali a trabalho, que não procurava por ninguém, e pensando "como está longe essa porta de entrada. Seja esperta. Corra enquanto pode". Do lado de fora, escuto carros freando bruscamente, próximo ao local. Meu instinto não sei porque pensou : "é a polícia, ficarei bem". Policiais então entram na casa, nervosos, recolhendo as pessoas que estavam ali escondidas, invadindo aquela casa. Começaram a arrastar TODAS as pessoas, incluindo essa que lhes escreve. Comecei a tentar explicar que não era mendiga (olha o nível da situação!), que estava ali a trabalho, mas a policial que me segurava não queria saber de conversa.

Continuei repetindo minha história, quando, por sorte minha, uns dos policiais presente no local havia me recebido no dia em que deixei as autorizações para as filmagens no posto de trabalho dele. Ele acabou me reconhecendo e confirmando que eu deveria estar ali só a trabalho realmente. Agradeci, corri de volta para casa agradecendo por não ter acontecido nada pior. A porta? Bem, acabei não arranjando porta nenhuma. Por coincidência, ao irmos filmar na casa da Carol, encontramos uma dentro de uma caçamba. Se não fosse por isso, lá estaria eu novamente atrás de uma outra porta. E torcendo para não entrar em outra fria, como aquela de filmar no estacionamento dos mafiosos lá na Treze de Maio.

Mais isso já é outra história...


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postado por Aleksandra Pereira às 7:12 PM | 12 comentário(s)
Meu queridíssimo amigo Ivan me convidou para que escrevesse sobre fatos estranhos, aleatórios e sem noção da minha personalidade. Já havia postado aqui minhas manias, um convite da Andréa N..

Mas, como um plus ao post das manias, coleciono também esses "gostos alternativos":

_Adoro cheiro de livro (e de jeans também).
_Gosto de nadar na chuva.
_Choro de soluçar com música folk irlandesa.
_Tenho uma estranha fascinação por espadas. Estranhas por serem instrumentos letais, eu sei, sou uma pessoa pacífica, mas a minha atração é grande. Talvez por isso goste dos contos celta, de tudo que ronde a lenda de Arthur, que queira fazer esgrima e assista a semana das artes marciais no NatGeo. É mais forte e mais antigo que eu, acreditem.

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postado por Aleksandra Pereira às 4:12 PM | 2 comentário(s)
terça-feira, agosto 08, 2006
Queridíssimos,
sei que devia uma explicação pelo sumiço anunciado e visível, mas alguns problemas de saúde me tiraram do ar por uns tempos.

Quero dividir com quem pude o que eu passei, para que possa servir de alerta, pois a situação foi séria, e o risco, grande.

Desde o final do ano passado, iniciei tratamento para controle de Hipertensão Arterial. Os históricos familiares me indicavam que eu deveria tomar cuidado: pai e mãe hipertensos. Mas como a minha pressão sempre caía, me sentia excluída da estatística. Até o dia que entrei nela, e desde então não passo um dia sem a medicação. Posso controlar a pressão, mas o tratamento é para o resto da vida.

Afirmo com certeza que hoje vivo tudo isso por total culpa minha. Alimentação errada, abuso de sal, falta de exercícios, estresse. Se eu não tivesse nada é que seria um caso ímpar.

Estava indo não muito bem: me sentia sempre cansada, as crises de dores de cabeça aumentando, tinha taquicardia de madrugada, e medo, muito medo. Não de morrer, mas por saber que passava por tudo aquilo devido as escolhas erradas.

Nos últimos dias, tive que correr com a minha família de madrugada super mal, achando que estava enfartando; Sentia uma dor horrível no peito, que se estendia ao braço esquerdo. Me desesperei. Juro que achei que era a hora. Fiz um monte de exames, tomei diversos remédios em comprimidos e injeções, furaram meus dois braços colhendo sangue, me reviraram, minha pressão foi no céu (18x11) e vomitei a alma. Estava por demais nervosa.

Graças a Deus, nada. A dor, foi muscular. Todo o resto, nervoso excessivo.
Mas os exames (eletrocardiogramas) mostraram que minha freqüência cardíaca estava muito baixa e a culpa era do remédio que tomava e vinha sobrecarregando o coitado do coração. Meu coração estava batendo mais ou menos com 33 batidas por minuto (Isso quando estava nervosa, sendo que a média normal, em repouso, fica entre 60, 70 batidas por minuto). Troquei de remédio, e estou mesmo melhor.

De uns tempos para cá mudei minha alimentação, e não como mais carne de nenhum tipo. A mudança tinha sido inicialmente por princípios, por não concordar com o tratamento reservado aos animais abatidos. Mas foi uma das melhores resoluções que tomei na vida. Só de não ingerir carne diminuí drasticamente a quantidade de gordura e sal que ingeria. Me obriguei a aprender a comer melhor, pois agora ou aprenderia, ou passaria fome.

Passei a consumir mais proteína de soja, e aprendi a fazer uma carne de soja que é uma delícia! ;-)
Procuro tomar água direto, o que me ajuda a diminuir a pressão numa crise, ir ao banheiro é fundamental.

E o mais importante: cortar o sal, grande vilão. Passei a experimentar outras alternativas de tempero, quando não dá uso o sal light, ou como sem sal mesmo. Sabe o que é legal? Voltar a sentir o verdadeiro sabor dos alimentos. Sal deixa tudo com gosto... de sal!

Não sinto falta de carne como achei que sentiria. E aumentei meus conhecimentos culinários, sempre buscando alternativas de tornar a comida mais saborosa e saudável.

Uma coisa também importante: precisamos aprender a ler rótulos e embalagens. Muitas vezes consumimos mais sal do que precisamos, sem perceber, embutidos em alimentos prontos, temperos de caixinha. Se acostumem a ler, estimulem seus filhos, amigos e parentes. Chequem a porcentagem que se refere a quantidade necessária de sódio por dia que o alimento cobre. Existem itens que, ele sozinho, tem mais sal do que o recomendado para um dia inteiro.

Estou bem, e muito bem, para dizer a verdade. A demora com as postagens não se dá mais por estar doente, mas por estar correndo atrás do prejuízo, de minha saúde, de mim. Ter passado isso tudo abre os olhos da gente. Os meus abriram.

Beijos, já já com um texto novinho, novinho.
Obrigada pela força.

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postado por Aleksandra Pereira às 10:37 AM | 2 comentário(s)
quarta-feira, março 22, 2006
ESPERANÇA E COMPAIXÃO
É muito triste ver tudo de mal que o ser humano é capaz de fazer. Dói. Dói muito. Pior, talvez, seja quando nem se dói mais, quando anestesia. Vive-se em estado de choque, letargia.

Mas também existe o outro lado, o lado bom, solidário, mesmo nos momentos mais difíceis.

Assistia a um desses programas da tarde com os “casos da vida real”, e o tema de hoje era “Quero meu filho de volta”: mães que buscam desesperadamente seus filhos desaparecidos por motivos diversos.

Ainda não tenho filhos, não sei sequer imaginar como deve ser difícil viver com o coração dilacerado por essa perda. Se prendendo a qualquer informação, por fios mínimos de esperança, por qualquer pista, pelo desejo de rever, ainda que machucado, desmemoriado. Mas vivo.

Mexeu muito comigo. Minha mãe me contou algumas vezes dos momentos tristes – graças a Deus, breves – das tentativas de seqüestro que sofri quando pequena. Em uma ocasião, brincando com uma amiguinha, uma mulher entrou no terreno, me levando com ela. Minha amiga correu para dentro avisando minha mãe:

- Tia, tão levando a Nega!

Minha mãe largou tudo, e saiu em tempo de me ver dobrando a esquina, de mãos dadas com a raptora, que talvez estivesse me levando para pais adotivos em outra cidade, outro país. Talvez hoje, fosse minha mãe.

Talvez hoje, fosse a minha mãe uma das bravas mulheres naquele programa, procurando por mim, esperançosa em me rever, me abraçar, me acarinhar. Seria ela a dar o ombro para aquelas outras mães que talvez antes nem a conhecessem, ou que já se esbarraram em suas andanças, em suas buscas ainda sem fim, unidas pela mesma dor, pela esperança, por compaixão.



LINKS ÚTEIS:

Mães da Sé
'Mães da Sé' é uma das entidades que fornecem informações para o sistema de ajuda à procura de crianças desaparecidas. (11) 3331 3331

http://www.ssp.sp.gov.br/
http://www.policia-civ.sp.gov.br/
http://www.mj.gov.br/
http://www.cidadania-e.com.br/
http://www.terceirosetor.org.br/
http://www.unicef.org.br/
http://www.prefeitura.sp.gov.br/
http://www.direitoshumanos.usp.br/
http://www.unesco.org.br/

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postado por Aleksandra Pereira às 7:16 AM | 1 comentário(s)
sábado, março 11, 2006
FELICIDADE
Minha mãe, que é Maria (de Lourdes), guarda até hoje a pulseira de identificação que recebi ao nascer. Nela, meu nome é Maria, nome universal para todas as meninas que ainda vão ter seu nome definido. Sou Aleksandra, quando grito para o mundo que sou única, especial. Sou Maria, ao lembrar que somos todos iguais, na batalha, na esperança, guiados por essa mãe de Fé.

* * * * *

Estou muito, muito feliz. Estou encontrando meu lugar no mundo, e tenho muita sorte por todas as pessoas bacanas que conheci, de perto ou de longe - mas sempre presentes. Se para conhecê-las, tivesse que passar novamente por todos aqueles que um dia me feriram ou me magoaram, passaria por tudo, de novo. É muito bom poder ainda acreditar nas pessoas.

Beijos.

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postado por Aleksandra Pereira às 2:37 PM | 4 comentário(s)
domingo, fevereiro 26, 2006
Aleks Simpson, baby!
 
postado por Aleksandra Pereira às 9:31 PM | 2 comentário(s)
terça-feira, fevereiro 21, 2006
VÁRIAS DESCOBERTAS E UMA FRAUDE
DESCOBERTAS

Recentemente um amigo antigo de colégio me encontrou através do Orkut, surgido de uma época prá mim tão remota que passei o resto do dia aclarando lembranças, avivadas pelas fotografias que guardei - já que não posso mais confiar só em minhas memórias.

De um modo estranho, não guardo amigos de infância, colégio, até de faculdade são poucos os que considero. Sempre que olho para trás, não vejo raízes. Os únicos que reconheço facilmente são aqueles que me acompanham até hoje: Machado, Flaubert, Calvino, Shakespeare, Woolf, Rosa, Wilde, Veríssimos, Sabino, Rey e outros tantos, sempre com um à mão.

Difícil era encontrar alguém que compartilhasse de minhas paixões, literárias ou musicais. Complicado para uma fase da vida onde todos querem se encontrar em grupos, turmas, pensamentos, ficando iguais, comuns. Você quer ser diferente, sabe que freqüentar bibliotecas não é perda, antes um prazer, e que também gostar de músicas mais velhas que seus pais não é nenhum problema.

E na juventude de quem facilmente já recebe vários apelidos, você ganha outros tantos, por não se adequar à maioria. Você não sabe se está triste por ser “diferente”, ou por sentir que, lá no fundo, alguns queriam ser como você.



Lembro que um ano após o término do colegial, já entrando na faculdade, eu era praticamente a única de toda essa turma que não havia casado ou assumido compromissos por uma inesperada gravidez.

Faculdade terminada, tempo passando, cobranças que aumentam: “e o casamento, quando sai?”. A continuidade da família, estabilidade. Me sentia, como li numa revista feminina, “o iogurte na porta da geladeira, com validade vencida recentemente”. Você pode tentar não medir o tempo, mas as pessoas sempre te lembrarão dele.

Mas afinal, não constituir família cedo foi bom ou ruim prá mim?



Queria respostas. Fui resgatar contatos que me indicassem onde estão hoje essas pessoas que fizeram parte de meu passo, saber o que fizeram com suas vidas:

alguns divorciados, com filhos. Outros casados e filhos, com subempregos. Poucos cursaram o 3º grau, e a maioria não trabalha com ou no quê gostaria. Pouco estudaram de lá para cá, e suas vidas basicamente se resumem às famílias, ou ao que restou delas.
São poucos, raros, os que posso olhar a vida e dizer “caramba, que bacana”, pelo sucesso profissional. Pessoal, todos reclamam.

Mas não sei quem trocaria a sua má experiência, pela minha falta de vivência. Eu que continuei a diferente do grupo, eu que não tinha assuntos em comum ao ouvir sobre maridos, bebês, dia-a-dia de um casal em crise, divórcios, recomeços. São coisas que em sua maioria só conjecturo, pois faz parte de meu trabalho como escritora criar e imaginar histórias para as mais diferentes vidas, mas de pessoas comuns, com carne, osso e sentimentos.


A FRAUDE

Foi quando percebi que escrevo sobre a vida desses meus amigos, o que é comum a eles, que viveram e vivem tudo isso. A vida real recriada na ficção é a deles, não a minha. Mesmos nos livros, a vivência me é emprestada. Eu só finjo que vivi.

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postado por Aleksandra Pereira às 12:44 AM | 5 comentário(s)
domingo, janeiro 22, 2006
É engraçado como, quando a gente é jovem, mais jovem, parece que as pessoas não morrem. Aí o tempo passa e recebemos mais e mais notícias de pessoas que se vão: um parente, um amigo, uma artista de cinema querida. Cada vez mais vamos perdendo aquele sentimento de invencibilidade que guardávamos no passado.

Me lembro que perdi alguns amigos da minha idade, mas também perdi pessoas da família. Só que a perda de um jovem amigo me doeu muito mais. Foi como se um pedaço de mim tivesse morrido junto com ele, um pedaço da minha adolescência, levado sabe-se lá para onde.



Para Edson Anibal Laureano

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postado por Aleksandra Pereira às 4:56 AM | 1 comentário(s)
domingo, janeiro 01, 2006
É isso aí, Feliz Ano Novo!
Tudo de bom proceis tudo!

Entro em férias, voltando dia 09, ou em algum plantão...

Grande beijo.

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postado por Aleksandra Pereira às 1:16 AM | 1 comentário(s)
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Coisas de valor, e o valor das coisas
As coisas são sempre elas, coisas. O que muda é o sentimento que guardamos por elas. Aí deixam de ser coisas, se tornam bens, relíquias, lembranças. Algumas vezes é o momento ou instante que determina sua importância, sua associação à determinada pessoa ou situação.

Se me fizessem a pergunta "Num incêndio em sua casa, na hora de escolher algo de material, o que salvaria?", com certeza minha resposta seria: um livro. Provavelmente morreria na tentativa, pois guardo uma estante completa só com os prediletos.

São meus amigos, professores, confidentes. As portas para as mais variadas e insólitas viagens, através das mãos e pensamentos de pessoas tão diferentes, ou ainda iguais a mim. Meus livros são minhas relíquias, meu tesouro e herança, o conjunto mais precioso dos meus bens.

Em minha família sou a única com o hábito de leitura, descontando os leitores de gibi (não é uma crítica, também devoro gibis). Mas foi olhando para minha avó que realmente percebi essa relatividade de valores. Dona Jovelina, 87 anos, não lê nem escreve, mal assina o próprio nome. Para ela, meus livros são somente enfeites coloridos dispostos nas estantes, e só. Em toda a sua vida de custoso trabalho na roça, o que nunca lhe pesou foi a falta dessa cultura. Educou os filhos da melhor maneira que pôde, em uma época onde os estudantes precisavam apagar a lição copiada no dia, para ter onde anotar a do dia seguinte. Hoje entendo melhor o real significado de um simples caderno para minha mãe, após ela me abrir esse dedinho de seu baú de recordações.

São bens com mais importância para uns, menos para outros, dificilmente com mesmo peso e lembranças. Posso sentar com minha avó e lhe contar histórias que ecoam através dos tempos, falar de Shakespeare, Pirandello, Veríssimo, Rosa e tantos outros nomes os quais ela nunca ouviu falar e que nem saberia repetir. Posso apontar mapas de lugares conhecidos, possibilidades infinitas de viagens, olhares.

Mas a minha avó possui para mim, que espero um dia viver de escrever, o bem mais precioso do mundo, quase o meu copo d'água no deserto: a vivência. A pessoal, não a emprestada como a maioria de minhas leituras. Suas memórias, suas vicissitudes e alegrias impressas em cada ruga, em cada sinal. E o brilho nos olhos de alguém que já viveu muito, e ainda tem muita história pra contar. Como um bom livro.

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postado por Aleksandra Pereira às 12:43 AM | 2 comentário(s)

LÁGRIMAS LAVADAS© 2006, por Aleksandra Pereira. All rights reserved.