quarta-feira, novembro 15, 2006
AMIZADE
- Foi bom dormir com você. Obrigada.
- Não há de quê.
- Não durmo com alguém tão bem assim há muito tempo. Foi muito bom.
- E você, como está realmente?
- Ótimo.
- Está se sentindo bem?
- Sim. Melhor que bem.
- Fico feliz em saber que está bem.
- A única coisa errada é que senti muito a sua falta durante todo esse tempo longe.
- Viu só? Foi só dormir comigo, agora praticamente me ama!

Marcadores: ,

 
postado por Aleksandra Pereira às 12:00 PM | 2 comentário(s)
segunda-feira, novembro 06, 2006
ESCOLHAS
- Que silêncio, que foi?...
- Nada. (...)Estava pensando em minha vida, em minhas escolhas. Eu quase nunca namorei os homens pelos quais me apaixonei, sabia? Alguns que me interessavam, eu investia, mas não vingava. Mas, principalmente os daquelas paixões fulminantes, arrebatadoras, eu não conseguia nem chegar perto. Mais do que avassaladoras, eram paixões platônicas. As que me inspiravam os mais diversos textos, às vezes nascidos só por um olhar, uma palavra dita de forma diferente.
Quantas vezes mudei meu percurso habitual para dar só uma olhadinha, ver mais de perto alguém que eu queria. Os autores que conheci por saber que daqueles eles gostavam, as músicas aprendidas, os pratos experimentados...
Recentemente tive duas oportunidades de rever antigos amores. Sempre fui curiosa em saber o que conseguiram, o que se tornaram sem mim. Um está até muito bem, possui seu próprio negócio, bastante próspero. Mas está dividindo na justiça tudo o que conquistou com a ex-mulher, que o trocou pelo gerente do banco.
O outro... está bem casado. Engordou uns dez quilos, os cabelos estão mais ralos. Se divide entre o trabalho na loja do pai e cuidar dos três filhos, com mais um a caminho.
Será que eu poderia ter feito alguma diferença para estas duas vidas? Seria eu a fugir com o gerente do banco, ou com a barriga estourando para a luz ao quarto filho? Seria tudo muito diferente? Melhor? Pior? Mais feliz do que estar onde estou hoje, mas sozinha?

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 6:51 AM | 4 comentário(s)
quarta-feira, junho 07, 2006
MODOS DE VER
- Aonde você vai?

- Eu estou te deixando, Felipe, não importa pra onde eu vou.

- Você não vai a lugar nenhum, Lola.

- Como é que é?

- Você não pode me deixar.

- Ah, é? Então me diz um motivo, um só e definitivo, que me faça ficar aqui, com você.

- (...)

- Estou esperando, Felipe.

- Eu preciso de você.

- Motivo errado.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 10:03 AM | 0 comentário(s)
sábado, junho 03, 2006
VERDADES ABSOLUTAS
- A Suzana sente sua falta, pai.

- Sente nada. Aquela sempre foi o xodó da sua mãe.

- Não foi não, pai. Ela sempre quis ser o xodó de alguém. A mãe não lhe dava atenção, e o senhor reclamava que não sabia cuidar de filha mulher.

- Tá, tá.

- É isso sim, pai. Ela sempre se sentiu culpada, responsável pela separação de vocês. Achava que não tinha sido boa filha o suficiente para manter a família unida. Do jeito que ela levava isso a sério, parecia que dependia dela todo o equilíbrio do mundo...

- Sua irmã sempre foi muito exagerada.

- Sempre! Como é que você se vê no direito de julgar alguém que não vê a mais de 20 anos?

- Não me venha ensinar o que eu devo e de que jeito dizer, moleque.

- Tá vendo, pai? É esse o seu problema. O nosso problema. Seu filho é aquele moleque que ficou bem lá trás no passado. Esse moleque não existe mais.



"Singularidades Nuas"

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 1:02 PM | 3 comentário(s)
quinta-feira, maio 11, 2006
DIFERENTES SEMELHANÇAS
- Acho que era sina do seu pai gostar de mulher que não queria viver presa dentro de casa. A outra, Lucinda, queria uma vida melhor pra ela, que ele nunca poderia lhe dar. Que ele também não me deu.

- É verdade que você a viu morrer?


- É. Organizávamos uma festa beneficente lá na ponta da praia, para arrecadar fundos para a construção do salão de baile. Recebia todos convidados quando me chamaram para ir até o lado de fora, um problema com uma das entregas. Ela vinha com um vestido todo florido, e aquela torta de carne horrível que ela sempre levava nas mãos. Ela era tão bonita. Deve ter descido do táxi um pouco longe da entrada, andava dando pulinhos, toda saltitante. Aí um ônibus queimou o sinal e a acertou em cheio. Engraçado é que o único sentimento que guardo daquele dia, é que aquela torta até que não era tão ruim assim.


- Você a detestou pelo o que ela fez a nossa família, não foi?


- Não. Não foi ela quem fez, foi o seu pai. Ela foi até muito corajosa ao me mostrar aquele barrigão e dizer que o pai da criança era meu marido. Ela só estava lutando pela felicidade dela.


- Destruindo a nossa.


- Pois é. E desde quando dá para agradar todo mundo?


- Isaura, esse tom tão condescendente não combina em nada com você, não acredito que veja tudo de forma tão pacífica assim.


- E adianta agir de outro jeito hoje, depois de quase 30 anos? Prá que que vou me descabelar pra falar mal de uma mulher já morta? (...) Tive muito tempo prá pensar nisso tudo Alberto, quase 30 anos. O tempo faz a gente equilibrar melhor nossas parcelas de culpa nas coisas que acontecem em nossa vida.


- Então por que é mais fácil perdoar a outra, e ainda não ter perdoado o meu pai?


- Não, sei. Talvez seja pelo mesmo motivo o qual você ainda não o perdoou, meu filho: nós ainda o amamos.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 1:13 PM | 4 comentário(s)
sexta-feira, fevereiro 24, 2006
- Desencana, Renato. É do Pepê que eu gosto.
- Blá, blá, blá...
- É isso mesmo. Ele é bonito, inteligente, e ainda reúne as quatro coisas que eu mais gosto em um homem de verdade, e não assim, um genérico de homem.
- Ah, é? E quais seriam?
- Ele me instiga intelectualmente. Tem gostos parecidos com os meus. Me faz rir.
- Pára, isso tá mais pra "perfil do homem ideal" de revista feminina! E se eu ainda sei contar, foram só três.
- Ah, é claro, faltou incluir um bumbum bem durinho!

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 1:31 AM | 2 comentário(s)
domingo, fevereiro 12, 2006
- Você não queria um irmão ou uma irmã, Suzana, queria uma boneca para brincar, mostrar para as amigas. Sua tia Olívia me contou sobre o dia em que você foi me visitar no hospital, com seu vestidinho de marinheiro...

- Eu odiava aquele vestido!

- Eu me lembro, mas te caía tão bem! Você foi o caminho inteiro falando em como iria brincar com a sua irmã, que esperava que ela fosse bem bonitinha, não chorasse muito e gostasse de brincar de comidinha. Até que sua tia lhe pegou no colo, e disse: “Suzana, aquele nenezinho ali é seu irmão Alberto”.
Quando foi me ver, de rostinho inchado de tanto chorar, me deu uma bronca enorme pois eu não havia lhe escutado, que aquela boneca vinha com defeito, que vinha com pipi. Então, como eu havia trazido o “pedido” errado, o mais correto seria eu devolver o Alberto para minha barriga e no lugar trazer a sua bonequinha.
Sua raiva rendia, até o dia em que pegou seu irmão no colo pela primeira vez, e se apaixonou por ele.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 10:30 PM | 3 comentário(s)
domingo, dezembro 18, 2005
- Perdeu o sono?
- É. Parece que sim.
- Pelo jeito as crianças também.
- Faz muito tempo que eles deixaram de ser crianças, Ana Lucrécia, já sou avó, se lembra?
- Serão sempre crianças pra mim.
- Pois acabe com essa mania idiota. (...) Era tudo tão mais fácil quando eles ainda eram crianças. Mesmo que os problemas fossem bem maiores.
- Mas a distância entre você e eles era bem menor. O que compensou mais, no final?

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 11:31 AM | 0 comentário(s)
domingo, dezembro 04, 2005
RESPOSTA ERRADA

- Clara, me deixa em paz, por favor, e pára de falar tanta besteira.
- Besteira? Besteira, Alberto? Só tô te pedindo prá pensar um pouco em mim. Em nós dois.
- Não estamos aqui, juntos? Te trouxe do Rio comigo, só pra conhecer meus pais!?!
- Ficou foi com medo de enfrentar o passado sozinho, mas sai e me deixa aqui, sozinha, desolada.
- Eu... Eu ainda não sei o que estou fazendo aqui, Clara, estou confuso.
- Não, Alberto, você É confuso. Não sabe quem é, o que quer, o que faz aqui, o que eu represento pra você. O que, aliás, deve ser muito pouco pelo modo que vem me tratando.
- Isso não é verdade.
- Sério? Então me diz, quando foi a última vez que realmente olhou pra mim? Nem agora consegue me olhar nos olhos.
- Não faz assim.
- Assim, como? Jogando a verdade na tua cara?
- Chega, Clara. Não quero mais falar sobre isso.
- Só que esse "isso" é a nossa vida juntos, Alberto. Sobre você não dar a mínima por minha vida, meus desejos e vontades. Sequer se lembra do que realmente é importante prá mim.
- Isso tudo é por ter esquecido teu aniversário? Eu já me desculpei, Clara...
- Presentes caros? Cartões com palavras de amor pré-impressas assinados pela tua assistente não contam, Alberto!
- Clara!
- Sem pensar muito, há quanto tempo estamos juntos?
- Meu bem...
- Sete, sete anos. E qual é a data do meu aniversário?
- Meu amor...
- Resposta errada.
- Volta aqui. Clara, volta aqui. (...) 30 de setembro. Teu aniversário é 30 de setembro. Clara!

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 10:12 AM | 2 comentário(s)
sexta-feira, dezembro 02, 2005
- O que é que você está olhando?
- O rosto que prometi admirar pelo resto da minha vida.
- Você teve doze anos para esquecê-lo.
- Não. Doze anos para relembrá-lo, para amá-lo mais ainda.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 4:53 AM | 1 comentário(s)
segunda-feira, novembro 28, 2005
- Cara de quem quer perguntar alguma coisa...
- Tudo, e ao mesmo tempo, nada.
- Poxa! Não respondi ao que me perguntou? Olha que eu fui até sincero nas respostas.
- Falou sobre meu trabalho, e nada sobre o que quero saber: sobre você.
- Acredite, não tenho nada de interessante para contar.
- Vê o que eu vejo? Você é uma incógnita, um enorme ponto de interrogação. Não ria, é sério. Nunca me sinto completamente à vontade perto de ti. Sempre tenho a impressão de sair da conversa nua, entregue, desarmada, e sem saber nada sobre você.
- Não sou um cara excepcional. Vai se decepcionar com o que pode descobrir.
- Me dê ao menos a chance de perceber isso sozinha.
- Não posso.
- E por que não?
- Não gosto de me sentir entregue e desarmado. É muito perigoso. E pelo que imagino, você fica bem melhor nua do que eu.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 1:39 PM | 2 comentário(s)
sexta-feira, novembro 11, 2005
- Já está na hora de conversarmos, Isaura.
- Eu sei.
- Senti sua falta.
- Eu não.
- Teimosa como sempre!
- E você, mesmo velho, ainda é convencido.
- Posso pegar na sua mão?
- Que diferença isso pode fazer?
- Não fui um grande marido, não é mesmo?
- Não. (...) Foi. Eu queria te odiar, Agenor, com todas as minhas forças, mas não posso. Eu não consigo.
- Então me perdoa?
- Isso também não.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 9:56 PM | 2 comentário(s)
quarta-feira, novembro 02, 2005
- Quando sua mãe descobriu minha traição e me botou para fora de casa, achei que ela só estava preocupada com o que os outros iriam dizer sobre ela ter sido traída.
Fazendo as malas foi que percebi o que tinha era importante, e eu não via. Pode parecer clichê por ter acontecido dessa forma, mas quando me vi longe de casa, sem minhas coisas e uma nova família pra cuidar, percebi que havia jogado toda a minha felicidade fora.
Sua mãe é uma mulher maravilhosa, mas sempre foi muito teimosa, orgulhosa. Às vezes penso que se a Lucinda não tivesse ficado grávida, nós todos ainda estaríamos juntos. O pior é que na época eu nem gostava dela, foram só umas duas noites de aventura. Acho que já me arrependi o suficiente por isso.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 8:41 PM | 5 comentário(s)
sábado, outubro 29, 2005
- Você continua um mistério prá mim. (...) Sabe o que eu realmente queria, Olívia? Ler nesse rosto tudo o que você viveu nesses três anos. Se você foi feliz.
- E eu olhava suas costas, tentando ler sua nova vida nelas. Tão difícil. E seus cabelos ficaram mais ralos desde a última vez que a gente se viu (...) Você ainda tem a marca da aliança! Já deveria ter saído.
- Não é algo tão fácil assim de esquecer. Sumir. De sumir.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 1:48 AM | 3 comentário(s)
quinta-feira, outubro 27, 2005
- Mas por que, Estela? Por que a Clara? Por que ela?
- Esquece o ELA, Alberto. Eu não me apaixonei por Clara, a mulher, uma paixão homossexual. Só encontrei alguém que me percebe viva, de verdade, que me olha no fundo dos olhos. Me apaixonei sim, pela pessoa dela.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 11:35 AM | 1 comentário(s)
terça-feira, outubro 25, 2005
- Ela pisou feio na bola contigo, meu bem. Mas se você gosta dela, perdoa, volta pra casa.
- Não posso mais viver com aquela mulher.
- Vamos, não seja assim tão dramático. Vai me dizer que nesses anos todos, você nunca traiu tua mulher?
- Já. Mas ela foi a primeira a saber.
- E?
- E o quê?
- E por ter descoberto a puladinha de cerca dela só agora, é que tá reagindo assim?
- Não sei, não sei.
- Olha, coração. Parece clichê, eu sei, mas só se vive uma vez nessa vida. E tá na cara que você é louco por essa mulher. Volte lá. Senão, depois você vai se arrepender, e passar o que resta da tua vida ou correndo na praia tentando segurar o que já vem mesmo caindo com o tempo... ou freqüentando bares pensando em trazer ainda alguma alegria pra tua vida.
- Está bem. Vou tentar.
- Assim é que se fala!

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 1:53 AM | 0 comentário(s)
terça-feira, outubro 18, 2005
- Sabe o que é confiar numa pessoa, cegamente, e depois de anos, descobrir que essa pessoa te traiu?

Breno põe a mão esquerda sobre o balcão. Estefânia repara na aliança.

- Você é casado! Por que é que eu nem fico mais admirada?

- Íamos passar a semana juntos, só nós dois.

Breno vê que Estefânia só olha para sua aliança. Tira a mão, disfarçando, tenta tirar do dedo, enquanto ela o observa, inquisidora.

- Os filhos longe, as coisas todas resolvidas...

Depois de muito tentar, Breno consegue retirar a argola dourada. Começa a rir, envergonhado, analisando a aliança na mão.

- O que foi? Qual é a graça?

- Nós nunca nos casamos de verdade, sabe? Mas a minha aliança com ela sempre esteve nesse dedo. Pra ela, e ninguém mais.

- E no quê isso é engraçado?

- É que me ocorreu que nunca havia tirado essa aliança do dedo em trinta e cinco anos.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 1:17 AM | 1 comentário(s)
sábado, outubro 08, 2005
- Pára, por favor. Assim você está me magoando.
- Você não entende. De qualquer jeito eu te magoaria. Não existe uma melhor maneira de se magoar alguém.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 9:44 PM | 1 comentário(s)
quarta-feira, outubro 05, 2005
- Eu e o Marcelo estamos dando um tempo, vendo como as coisas se ajeitam.
- Existe uma outra ou um outro nessa relação?
- O pior é que não. Somos nós mesmos.
- Boa sorte.
- A boa sorte está em falta nesse momento.

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 1:18 AM | 0 comentário(s)
terça-feira, outubro 04, 2005
- Bom dia.
- Bom dia. É cedo ainda, não é? Acordei você?
- Tive um pressentimento de que já estava acordado faz tempo.
- Acabo de me levantar. Estava preparando nosso café-da-manhã.
- Que bom, por que tô morrendo de fome!
- É bom, pois temos pão queimado na chapa acompanhado por suco de laranja azedo.
- Nossa, você sabe mesmo como agradar uma mulher!

Marcadores:

 
postado por Aleksandra Pereira às 8:34 PM | 1 comentário(s)

LÁGRIMAS LAVADAS© 2006, por Aleksandra Pereira. All rights reserved.