domingo, janeiro 28, 2007
GUERRA & PAZ - BARBARidades
Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe.
(Oscar Wilde)


Betina sonhou não lembrar se tinha dezesseis ou trinta anos. Acordou com cinqüenta. Na verdade, quarenta e nove anos, onze meses e vinte e seis dias. O que fez em todos esses anos, o que conquistou? Foi feliz? Na correria louca de seu louco mundo, não tinha parado para refletir sobre os rumos de sua vida.

E o que era todo aquele questionamento? Tristeza ou falta de estrógeno?

Só se lembra que tudo aconteceu tão rápido...

Após um ano e meio de casamento, seu marido fora embora, deixando-a sozinha com a pequena Rafaela. Betina viveu o estigma de ser chamada “separada”, “mãe solteira” em uma época de profundas mudanças no país e dentro dela. Para sobreviverem, trabalhava fora em dois empregos, deixando a filha pequena aos cuidados de Maura, a babá e melhor amiga de todas as horas.

Bem, de quase todas.

- Alô? Maura?
- Tina? ‘Cê sabe que horas são?
- Meu relógio parou.
- Então troca de pilha, Tina, e me deixa dormir.
- Não é desse relógio que eu tô falando, criatura, é o da vida.
- Tina?!? Você morreu? Tá ligando do Além?
- É sério, Maura.
- ‘Cê tá bem, Tina?
- Além da pele seca, o excesso de peso, o coração que galopa, acordar empapada de suor, e uma montanha-russa emocional? Tô ó-ti-ma!
- Aham...
- Maura, acorda!!!
- Hã? Eu não tô dormindo. Escuta Tina, ‘cê tá ligando do Além a cobrar?
- Eu não sou fantasma, Maura.
- Não? Ah, então liga amanhã! Tchau.
- Maura? Alô? (...) Palhaça.


Betina vivia para filha, hoje seu mundo é a neta. Esqueceu o que era sair, curtir a vida, namorar, sempre ocupada com o trabalho, contas, médicos. O tempo simplesmente foi passando e lhe deixando para trás. Filha, esposa, mãe, avó. Betina via sua vida e todos os seus diferentes papéis em sua frente. Mas o que seria dela agora? O que fazer?

Sua atual vida a entristecia. Mesmo tendo saúde, um confortável apartamento, ou uma boa renda com sua loja de bolsas. O que Betina não compreendia era o que fazer com aquela estranha que a olhava no espelho todos os dias.

Deprimida às portas da quinta década, Betina custava a sair de casa ou do telefone, em longas conversas com a amiga Maura. Fabiana a encontrava sempre perdida sob as cobertas:

- Vó, sai já dessa cama, vem tomar um banho gostoso e comer alguma coisa quentinha.
- Não quero.
- Deixa de manha, Dona Betina. Parece criança. Vamos, tira logo a bunda desse colchão.
- Não fala assim comigo, sou sua avó e sua mãe.
- E se não levantar, baterei na bunda das duas.
- Não vou sair mais da cama, Fabi. Manda trazer minhas coisas do escritório, que agora trabalho daqui.
- Que é isso? Preguiça?
- Não. Crise... de meia-idade.
- Crise de meia-idade, vó? Qualé, isso é besteira. Além do mais, ‘cê não vê jornal, não? Se a média de vida das mulheres tá em uns 73 anos, sua meia-idade, matematicamente, foi lá entre os 36, 37 anos.
- Isso. Pisa.
- Seguinte, vó. Depois da escola, vou pro shopping e depois janto na casa da Carol.
- Não volta tarde.
- E você, nada de comida mexicana de novo. Chega de nachos, burritos e guacamoles. Sai e come algo leve, só pra variar.
- Tá bom.
- Mas é pra sair. Chama a madrinha pra ir junto.
- Tá bom, mãe. Tchau. Bom passeio, divirta-se, juízo e...
- Eu já sei, vó: juízo, cuidado, camisinha, blá, blá, blá...
- Isso mesmo, vai repetindo como mantra pelo caminho. Não vou aguentar ser bisavó agora.

...

- La Violetera, Buenas noches!
- Alô? Oi, é a Betina, aqui da Espírito Santo. Eu quero o combo com dois burritos, e nachos com guacamole, salsa e cheddar. Isso. Rápido.

...

Sentada sozinha na cozinha, após separar pratos e talheres, Betina espera. Contar o tempo havia virado sua principal ocupação.

...

A comida do restaurante nem era mais tão boa assim, desde a troca de cozinheira. Juanita abandonara o restaurante e o marido para viver com um confeiteiro francês no interior de Santa Catarina. Antonio Morais, o “Morales”, assumiu o estabelecimento e fazia ele mesmo algumas entregas, principalmente se conhecia os fregueses.

- Como está o nacho, Betina?
- Delícia, Morais. Muito gostoso.
- Experimenta com o vinho.
- Eu não pedi vinho.
- Não reclama e experimenta.
- Humm. Bom.
- Fica com a garrafa. (...) Melhor?
- Sem fome.
- Bom começo.
- Já não me bastava a lei da gravidade, Morais, meu mundo também caiu... Olha só prá mim. Sábado à noite e eu na cozinha, devorando comida mexicana com o entregador.
- Dono.
- Desculpa, não quis ofender. É que eu remôo demais as coisas, sabe? Penso, analiso, defino. E não tenho feito nada. (...) Tanto tempo que não faço o cabelo, ou compro roupas novas... Esse vestido eu usei no batizado da minha neta. (...) Tô só o pó, como ela diria. O pó. “Não encuca, vó”.
- E ela tá é certa. Não deve ficar esquentando com besteira. Tem muita coisa pra fazer ainda na vida, Betina.
- Você acha?
- Acho. É nova ainda, bonitona.
- É, eu ainda tô respirando, né?
- Como mulher gosta de reclamar, não? Ô, diacho! (...) A conversa tá boa, mas eu vô andando.
- Quanto eu devo?
- Deixa disso, já pagou com o papo.
- Morais, assim você vai falir.
- Mas quem disse que eu não me divirto?
- As agruras de uma mulher de meia-idade te fazem rir? Fora daqui agora! Tchau, e obrigada pela paciência.
- Nada. Outra coisa: não é ruim se ainda cabe no vestido do batizado. Sinal que ainda tá podendo...
- Podendo caber no vestido, pelo menos!
- Você é uma mulher muito bonita, Betina, tem que lembrar disso. Precisando de companhia, sabe onde achar.

- Tá. Quando quiser taco de novo, te aviso.
- Pode ser, também.

...
- Esse Morais tava me cantando ou sendo gentil? Acho que perdi o jeito.
...


Betina bebeu todo o resto do vinho direto da garrafa, e capotou no sofá. A bebida e o estômago pesado somaram-se em um pesadelo daqueles:

Ela tinha dezesseis anos, e ia com sua saia de pregas favorita encontrar-se com Maurício, o namorado secreto aos pais e que seria o grande amor de sua vida por mais 1 ano, 8 meses e 11 dias, até o momento em que ele lhe apresentou Darcy, estudante de Direito, 23 anos e capitão da equipe de Remo. Mas naquele dia Betina ainda nem imaginava Darcy, mas seria aquele o momento da concepção de Rafaela.

Betina passava em frente a uma construção com peões, serventes e pedreiros, imagem clássica de homens suados sob o escaldante sol do meio-dia.

Logo lhe alcança a chuva de assobios e frases redondas de ambigüidades e provocações, que coram as bochechas mas afagam o ego. Até ouvir a estranha frase “Poxa, se fosse mais nova eu até pegava!”.

Como assim, mais nova? Betina olhava para suas mãos, braços e pernas, tocava o rosto, os cabelos, e sentia fresco o viço da juventude.

“Mais nova? Credo, isso dá é cadeia, viu?”

Mas o reflexo dos vidros do prédio vizinho lhe traía: grisalha, abatida, a pele marcada e o corpo curvado pelo tempo. Levava a mão à boca e ela tremia pela exaustão com o breve esforço.

Vê-se definhando, encarquilhando, engolida pela vida que escoa. Ela se toca, e se observa de cima a baixo.

Mas como? Minhas mãos, o meu corpo, eu ainda sou jovem, jovem!!!”, ela questiona, suplica, a visão turva pelas lágrimas. Nada lhe resta a fazer senão chorar.

O choro lhe lava a alma e o rosto se transforma em exultação ao ver-se refletida como é, dezesseis anos, radiante em sua saia pregueada.

Fora somente um delírio, excesso de calor e imaginação. Maurício a espera, precisa ir.
Mas não consegue sair do lugar, tem a estranha sensação de encolher. O ar lhe falta, as mãos envelhecidas, não mais obedecem.

Betina quer gritar, pedir ajuda, mas não tem forças. Está morrendo.

- Vó? VÓ?
- Ah? O quê? O que foi?
- Vó? Acorda, vó. ‘Cê tava tendo um baita pesadelo!
- Quantos anos eu tenho?
- Os mesmo de antes. Até o próximo aniversário.
- Graças a Deus!
- Eu, hein!? (...) Sonhou com o quê?
- Com meu passado, com meu futuro...
- E o presente, nada? Ai, vó, ‘cê pensa demais. Será que quando eu ficar velha, vou passar o resto da vida assim, só pensando?
- Se queria me ajudar, continua, você tá quase conseguindo...
- Vó, já foi. Passou. Você não pode encucar tanto com coisas que aconteceram lá no século 17, esquece isso, pô.
- Século 17?
- Maneira de falar, vó.
- Não podia ser o finzinho do 19?
- Não vai levantar, né?
- Só mais dois minutinhos...
- Deixa pra lá. Tchau, Dona Betina.


Aquela não era maneira de viver. Ainda era jovem, bonita, poderia voltar a estudar se quisesse, agora que as coisas estavam tranqüilas. Sairia para comprar roupas novas, acessórios. Faria o cabelo. Pegaria Maura e viajariam juntas pelo interior do país, rindo como loucas, conhecendo pessoas interessantes, homens interessantes. Estava viva. Viva, como estavam Fabiana e a amiguinha na sala de estar, preparando-se para uma festa. Precisava se lembrar de como fazer isso: viver.

- Dona Betina, a senhora tá uma gatona!
- Gatona?
- É, bonita, poderosa.
- Vai sair, vó?
- Não. Passei a tarde na loja, cansei. Vou ficar por aqui mesmo. Divirtam-se vocês.
- E você vai fazer o quê?
- Não sei. (...) Acho que vou pedir comida mexicana.

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Ufa! Leu até o fim? Beleza. Se gostou, aguarde.
Betina, Maura, Fabiana e companhia ainda aprontarão muito por aqui.

ilustração: Gil Elvgren

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postado por Aleksandra Pereira às 1:59 PM |


14 Comentários:


At domingo, janeiro 28, 2007 2:47:00 PM, Anonymous Isa Maria Lis 

Lelê, minha amiga, adorei!
Betina e Maura parecem dar pano para várias histórias, formam uma dupla divertida. O amor da avó (avó novinha essa, não?) pela neta, é visível.

Assim como sua encanação com idade. Como a gente pira com isso, não? Homem encana, mas muito longe da gente. O pesadelo dela me deu medo, já tive um parecido. Também me alentou, por me lembrar que não estou sozinha nesse medo contra o tempo.

E o Morales, danadinho? Tomara que tenha ganho a bonitona no final. Como foi? Como foi?

Mande mais, não se preocupe com tamanho não. O que importa é que rende história boa.

Beijão!

At domingo, janeiro 28, 2007 3:01:00 PM, Blogger Aleksandra Pereira 

Isa, neném, tu é rápida!

Ainda ajeitava o texto, quando recebi o comentário.

Betina e Maura me divertem muito, e já tenho duas novas histórias quase no ponto com elas, só que mais curtas. Essa saiu maior, para poder apresentá-las, contar um pouquinho do passado, e ligar Betina e Maura às histórias de Fabiana e Maurício, que são o presente, Fabi está mais velha, nesse ainda é adolescente.

Vão aprontar muito essas queridas destrambelhadas. Tenho pensado tanto nelas, que Maura veio me visitar ontem, antes de dormir. Uma figura.

Beijo!

At domingo, janeiro 28, 2007 4:20:00 PM, Anonymous Leonardo 

Uau!!! Vai ser um "novel"?!?!?! Cool... Pretendo acompanhar todos os capítulos da saga porque so far, so (frecking) good! ;-)

Quero só ver como e quando você vai capturar o universo masculino neste mar de feminilidade...

Grande beijo,

At domingo, janeiro 28, 2007 9:08:00 PM, Blogger Aleksandra Pereira 

Os personagens masculinos crescerão mesmo mais no presente. O passado mexerá mais com a falta deles, mas eles ganharão terreno.

A próxima história das duas doidas será "No céu com Du Moscovis", mas o reino ainda é nosso, a abordagem ainda está na falta de homens, do que da presença.

Mas já estão chegando.

Beijo

At segunda-feira, janeiro 29, 2007 4:50:00 PM, Anonymous Ivan 

Olha, Aleksandra, sua escrita está cada vez mais encantadora. Quando sai um livro, hein?

E devo dizer que sinto sua falta no meu blog, sobretudo dois textos recentes- um, continuação do outro- onde me aventurei a escrever um conto (ou seria crônica?). Sua apreciação seria de valor, mas esperei e também não apareceu para lê-los. Vê se aparece, menina.

At segunda-feira, janeiro 29, 2007 6:44:00 PM, Blogger Andréa N. 

Nossa, muito bom isso. Sabe que eu fiquei pensando nisso quando meu irmao me mandou o filme "A Dona da Historia". Eu tinha visto a peca com a Marieta e a Andrea Beltrao ha milenios, mas ao ver o filme recentemente me lembrei dessa coisa doida que eh a vida e o tempo. A gente fica tao preso ao passado e querendo mudar as coisas que ja fez, quando podemos mudar tudo na nossa vida na mesma hora ou no dia seguinte mesmo. Podemos mudar tudo. Eh soh querer. Beijoca.

At terça-feira, janeiro 30, 2007 12:44:00 AM, Blogger Felipe 

Oi Alê!
Bom reler um conto teu. E mais legal ainda é saber que vai ter continuação. Tu és boa mesmo, hem. Falas de uma mulher de cinquenta como quem já viveu. É aquilo que já conversamos, tu captas a alma de teus personagens, não questionas, apenas os segues no que eles te propõem. E aí, essa "mágica" acontece.
Manda ver!!!!!!!
Beijo

At terça-feira, janeiro 30, 2007 9:26:00 AM, Blogger Aleksandra Pereira 

Ivan, querido, o puxão de orleha é justo, pois te devo mesmo uma boa visita, assim como devo para outro tanto de amigos, mas os últimos dias foram corridos com coisas pessoais e, ufa!, acho que agora tá melhorando.

Postar aqui é mais fácil, já que eu adinato os trabalhos no computador, é só mandar o básico ctrl c + crtl v, ajustar na página e voilá!.

Mas não esqueci não. Passo lá em breve, te garanto, e comentando.

Beijo grande.

At terça-feira, janeiro 30, 2007 9:31:00 AM, Blogger Aleksandra Pereira 

Ah, Déa, e como esse tal de tempo consome a gente, não?

Quando comecei a desenvolver a história, que na verdade é o passado da vida de outras personagens que já estavam estabelecidas (Fabiana e Maurício), pensei nessa avó tão jovem que é Betina, por ter sido mãe cedo, e depois avó e mãe. Por tudo lhe acontecer de forma tão instantânea, ela tem esse pavor enorme do tempo passando, e de o estar perdendo. Seu pesadelo, sua reações, denotam isso.

Meu medo era que esse lado ficasse pesado e ela não se mostrasse divertida, birrenta. Humana. Mas acho que deu.

Beijo!

At terça-feira, janeiro 30, 2007 9:35:00 AM, Blogger Aleksandra Pereira 

Lipe,
meu lindo, obrigada. Sabe que fico sm
sempre muito, muito feliz com um comentário teu, me ajudam bastante.
Bom saber que consegui isso, era meu temor que soasse artificial. Mas acho que medo do tempo nós temos em todas as idades, em maior ou menor grau, principalmente quando a gente acha que não fez o que poderia, ou faria algo de forma diferente.

É como a Betina. Se nessa análise dela - e acho que ela fez isso - se ela percebesse que criou uma filha bacana, uma neta inteligente e divertida, construi uma amizade sólida com a Maura, é dona de seu próprio negócio, da sua casa, acho que ela começaria a encarar de outra forma as coisas.

Veria que ter 50 anos não é o fim. É o começo.

Beijo grande.

At terça-feira, janeiro 30, 2007 2:42:00 PM, Blogger Felipe 

Mas, aí, a Maura teria que se olhar de fora, porque quando uma pessoa está dentro da confusão de emoções, tudo parece mais difícil.

Viste a coincidência? Tem a ver com o comentário que fizeste lá no post do "obstáculo". Poxa, adoro isso de criar histórias e personagens e estou vendo que também gostas muuuuuuuito disso. Tipo da coisa que a gente só aprende mesmo perdendo o medo de se abrir e experimentar fluir e deixar fluir esses personagens. A gente vai vê-los, sim, mas também veremos a nós mesmos.

Beijo!

At terça-feira, janeiro 30, 2007 3:42:00 PM, Blogger Aleksandra Pereira 

É verdade, Lipe, taí a coincidência.
A gente tem sorte quando tenta sair de um problema onde não vemos solução por olarmos de dentro, de poder contar com os amigos, com a família, com as pessoas que gostam da gente.

Às vezes até mesmo quem não conhecemos bem, ou até mesmo desconhecidos, num instante iluminado nos mostram um caminho.

Só precisamos nos manter abertos para perceber esses instantes.

Beijo.

At terça-feira, janeiro 30, 2007 6:44:00 PM, Anonymous denise 

Alê, nooossa!!! Parece até um espelho!!! Ando assim, se pudesse, trazia o trabalho pra casa e não saía mais. Vou tirar o pó e procurar o que fazer... Muito boa a novela.
Tá sabendo da campanha Faça a sua parte? Pega o selinho lá no blog façaasuaparte.blogspot.com e divulgue, por favor.
beijo, menina

At segunda-feira, fevereiro 05, 2007 11:49:00 PM, Blogger TARCIO VIU ASSIM 

Dona Aleksandra, eu vi um filme enquanto lia! Dá roteiro de cinema, de tv, de curta... dá teatro.
-
E a senhora, tão cruel com seus personagens e leitores(em todos os contos que li) não esquece de assoprar (o humor)enquanto fere.
-
Sou um teu leitor cativo.
-
Beijo sertanejo.



LÁGRIMAS LAVADAS© 2006, por Aleksandra Pereira. All rights reserved.