terça-feira, junho 20, 2006
APOSTANDO NO AMOR
Beto e Jussara eram vizinhos de porta, cresceram juntos e juntos fizeram de tudo: pularam muros, roubaram goiabas, se perderam na cidade. Ele até a ensinara a dirigir no carro do pai dele, escondido. Eram como um só.

Até Beto conhecer Marina.

Jussara não gostou dela desde o início, sempre vendo defeitos na “intrusa” que lhe roubava o amigo. Se Marina jogava bola na rua, Jussara criticava sua habilidade, o modo como caía ou perdia uma boa bola, logo Jussara, que diziam ter nascido com dois pés esquerdos. E era ela quem estava lá, sempre, e bem antes de Marina.

O difícil era admitir que Marina era boa, boa em tudo. E ainda por cima linda. Jussara ficava de tromba, para deleite de Beto. Dizia estar a amiga com ciúmes.

Ciúmes?

Jussara esbravejou, bateu o pé, e apostou que aquele namorico não iria durar. O prêmio? Um ano de mesada.

Mas aquele namoro rendia, e Jussara fingia não dar nenhuma importância, até reencontrar Rodrigo, ex-amigo de colégio. Agora ela e Beto mal se viam, se avistavam na escola durante a troca de salas, na praia ou em festas, e o namoro de Jussara e Rodrigo ia bem, obrigada.

Em uma dessas festas, se encontraram Beto, Jussara e Rodrigo. Cumprimentos frios e olhares quentes, saudosos.

Fim de festa, despedidas. Beto no mesmo lugar em que estava quando Jussara chegou. E de lá só saiu quando Rodrigo deixou a namorada para ir ao banheiro.

Beto perguntou a Jussara se, talvez, um dia, pudessem ter uma segunda chance, uma reaproximação. Sentia falta dela, de sua amizade, de seu sorriso, do seu calor.

Rancorosa, magoada, Jussara respondeu que não. Pensou que não queria ser a sobra, ou mesmo herdar as sobras de Marina, que possivelmente o havia largado.

O amigo se despediu, cabisbaixo, deixando um envelope dobrado, suado, apertado. Enquanto Beto caminhava para a porta, Jussara abriu o pequeno pacote. Junto de um papel vincado, notas de dinheiro. A mesada de Beto, inteirinha. E, no papel, a letra acanhada do amigo:

“Perdi a aposta, mas não quero perder você.”

Jussara já tinha ouvido falar ou visto em filmes, cenas onde os mocinhos se separavam pelos mais diversos motivos, e então se procuravam a vida toda. Às vezes o destino os reaproximava, às vezes, não.

às vezes, não.
Vendo sua felicidade indo embora, Jussara precisava tomar uma importante decisão.



A neta no colo ainda não entende qual o motivo daquela reunião, a 32ª, mas distribui sorrisos. Jussara e Beto, agora vovô Roberto, anualmente renovam seus votos com uma aposta, daquelas boas, muito boas, onde todos ganham.

Sorte no jogo,
Sorte no amor. Pelo resto da vida.

Quer apostar?

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postado por Aleksandra Pereira às 8:28 AM |


2 Comentários:


At terça-feira, junho 20, 2006 10:07:00 PM, Blogger Andréa N. 

Ahhh, que fofo! Eu não aposto nada, não. Com amor não se brinca, e não se joga.
Beijo.

At quarta-feira, junho 21, 2006 8:14:00 AM, Anonymous Alexandre 

Dá uma dor no coração perder um amigo(a)!!!



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