segunda-feira, março 12, 2007
CONCURSO "ENCAIXE A FRASE" REVISTA PIAUÍ

frase:

"Não vou tolerar esse tipo de agressão, ainda mais levando em conta que meu tio é ventríloquo"

Os textos aprovados pela redação são postados no site da revista. O melhor, impresso na próxima edição. Lembrando sempre de enviar o conto antes do dia 20, com até 3200 caracteres (espaços inclusos).



FALANDO PELOS COTOVELOS (DO BONECO)

- Não vou tolerar esse tipo de agressão, ainda mais levando em conta que meu tio é ventríloquo!
- Mas é o que eu estou dizendo, Jonas, o cara não tem coragem de se expressar e usa um bonequinho para dizer coisas que não pode dizer ele mesmo!
- Você é que não consegue enxergar a responsabilidade desse trabalho, Ana!
- Responsabilidade é sentar um boneco de pau no colo e sair metralhando besteiras, injúrias e tiras pseudo-engraçadas por todos os lados?
- Ele também fala sobre coisas úteis como criticar o estado atual do governo, os esquemas corruptos...
- Fazendo graça de coisas sérias, retalhando o mundo em piadas com as manchetes do Jornal Nacional? Me poupe, Jonas, que eu já cansei dessa conversa. Me dá a minha bolsa que eu vou embora!
(...)
- Ana? No show de ontem. Ele disse como achava você bonita.
- Foi?
- E como eu teria sorte em me casar com uma garota bacana e inteligente como você.
- Mesmo?
- Mas meu tio só faz metralhar besteiras, injúrias e tiras pseudo-engraçadas por todos os lados...
- Não, não é bem assim... Jonas! Jonas? Volta aqui, Jonas! Jonas, eu já te disse que até acho o boneco bonitinho? Jonas!


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postado por Aleksandra Pereira às 9:46 AM | 3 comentário(s)
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
CONCURSO "ENCAIXE A FRASE" REVISTA PIAUÍ
Quem acompanha o blog já leu esse conto aqui, mas estou re-postando hoje com modificações. Não gosto de adaptar textos para moldá-los aos concursos, mas nesse o fiz por duas razões: não tirava em nada a essência da versão anterior, e precisava mesmo de mais molho. E valeu como exercício, acrescentar novas linhas e depois lapidar para o espaço. Foi uma interessante experiência.

Após ler o conto do Biajoni sobre as angústias de Bob Dylan, dentro da proposta da Revista Piauí em criar um texto encaixando uma frase, me lembrei desse "Lágrimas lavadas", que achei já delineado para abrigar a frase solicitada, que neste mês foi:

"Mas Alice, eu já disse que não sou mitômano!"

Os textos aprovados pela redação são postados no site da revista. O melhor, será impresso na próxima edição (creio eu que seja na próxima). Quem perdeu esse pode aguardar os próximos, lembrando sempre de enviar o conto antes do dia 20, com até 3200 caracteres (espaços inclusos).

Aproveitem e prestigiem os já publicados no site. Dos sintéticos de tão curtos ao que quase estouram o limite exigido (o meu, no caso), surgiram os mais variados textos.


LÁGRIMAS LAVADAS

Casamento, Dois, Um. Juras, Cobranças. Casa, Filhos. Tempo. Vaidade. Alice precisa tirar férias da sua vida. Mas como mal podia parar para respirar, deu-se uma mísera tarde a se regalar no shopping, espairecer. De aspecto cansado e descuidado, sua auto-estima nada melhorou ante aquele desfile de mulheres lindas e saradas. E, com uma delas, perdido em curvas moldadas por cirurgiões e academias, o marido Evandro. E o cara-de-pau ainda fez de conta que não a viu.

- Deixa de ser boba, Alice. Quarta-feira, e eu bobeando com uma lôra no shopping?
- Eu não disse que era loira, Evandro.

- Disse.
- Não disse, não.
- (...) Bom: loira ou morena, não era eu.

- Era, Evandro. A mão que escorregava nos cabelos tingidos dela usava essa mesma pulseirinha que a Eva te deu e fez prometer não tirar. Eva. Nossa filha, tá lembrado?

- Tá bom. (...) Era eu. Mas era uma reunião, de negócios.

- Sei. E quais você anda fechando? Importação e exportação? Contou prá loira que já possui acordo com outro país?

- Você entendeu tudo errado, Alice...

- Quieto, Evandro! Chega. São doze anos, Evandro! Doze anos de mentiras!

- Eu não tô mentindo, Alice. Olha, eu juro por...

- Se jurar por nossos filhos de novo, eu te mato!
- Calma, vem aqui, meu bem...
- Me larga, Evandro! Traidor, você mente tanto, tanto, que já não sei mais o que é verdade é o que é mentira em você!

- Mas Alice, eu já disse que não sou mitômano!

- Mas é mentiroso!
- É tudo a mesma coisa, mulher!

- Então já que é tudo a mesma coisa, volta lá prá tua lorôna e pede prá ela fazer o teu jantar, que eu cansei.


Vomitando a alma, Alice fez sua mala e a dos filhos, tomando o caminho para a casa dos pais. Chorou até secar. E como a maioria das mulheres que se vêem sozinhas ao fim de um relacionamento, reassumiu sua vida e seguiu em frente.

Mas ainda lhe incomodava lembrar a traição do marido. Após anos jogados fora, só deixá-lo era pouco. Faltava ainda o golpe final: raspou a conta conjunta poupada há anos e investiu em uma bela repaginada. Roupas, sapatos, cabelos, cabeça. Nunca ficara tão feliz em ver Evandro duro.

E quando o próprio resolveu tirar satisfações esperava encontrá-la na pior, mas estava ainda mais bonita que no início do casamento. Ele então tentou de tudo: desculpas, serenatas, flores.

Alice o recebeu de volta. Foi a melhor esposa, a mais devotada mãe, a mais fogosa amante. Até Evandro receber misteriosas cartas, estranhos telefonemas. Alguém, um amigo preocupado, o avisava da traição da mulher.

Evandro não mais dormia ou comia direito. Vigiava Alice nos mais íntimos momentos, estudava cada mínima mudança. Nada.

Decidiu não ligar para as denúncias de infidelidade e seguir feliz. Mas um engarrafamento na Marginal o tirou do caminho habitual e não pôde evitar ver sua mulher em um carro saído de um motel, a mão nos cabelos ainda úmidos e o melhor sorriso para um homem que não era ele.

Tesourando o tráfego, Evandro volta para casa, espumando. Uma hora depois é Alice quem chega com filhos e mochilas, sua esposa no melhor momento de mãe exemplar. Reprimindo a raiva, Evandro a questiona, acusa, aponta. Esperava que Alice chorasse ou ajoelhasse pedindo perdão, mas ela nada rebate. Confuso, ele quer respostas. Precisa delas.

- Era você, Alice, com outro, saindo do motel?
- Era.
- Fala assim como se não fosse nada, sem nenhuma consideração?
- A mesma que teve por mim, no shopping, cheirando o cabelo daquela loira vagabunda?
- Alice! Você ainda não esqueceu daquilo? Foi um erro, meu bem, eu nem me lembrava mais. E você me perdoou, não perdoou?
- Perdoei.
- E então? Prá quê isso agora?
- (...) Crime de amor não prescreve.

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postado por Aleksandra Pereira às 11:06 AM | 8 comentário(s)
sábado, novembro 04, 2006
Concurso de Contos Mente Aberta
ÉPOCA quer ter a honra de publicar, pela primeira vez, a produção literária de autores inciantes brasileiros. Vale tudo, de cultores do pop como Nick Hornby e Hanif Kureishi a seguidores dos estilistas Dalton Trevisan e Rubem Fonseca. Assim, está instituído a partir de agora o Concurso de Contos Mente Aberta.

Poderão se inscrever autores que não tiverem ainda livro publicado no próprio nome. Participação em coletâneas ou revistas literárias não é impeditivo. Escritores-blogueiros são bem-vindos. Para participar, envie um conto de no máximo 7.000 toques para o e-mail concursomenteaberta@edglobo.com.br. Os contos deverão ser inteiramente inéditos - a publicação anterior em coletâneas, livros ou revistas levará à imediata desclassificação. A temática é livre e não há limitação de estilo ou formato. O júri será formado pelos jornalistas envolvidos com a seção Mente Aberta, e presidido pelo editor Luís Antônio Giron.

O vencedor terá seu conto publicado na revista ÉPOCA , na seção Mente Aberta. Caso haja um número grande de contos considerados de bom nível pela comissão julgadora, será cogitada a publicação de um livro com os melhores. Antes do anúncio do vencedor, os contos não poderão ser publicados em nenhum veículo impresso, sob pena de desclassificação.


Os contos devem ser enviados até 31 de janeiro de 2007, e o resultado será anunciado no início de março. O júri é soberano para decidir sobre casos omissos.

Clique aqui para ler o regulamento completo

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postado por Aleksandra Pereira às 11:54 PM | 2 comentário(s)

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